Meu nome é Francisca, vim de uma família
pobre, infância e adolescência sem regalias, e precisei trabalhar desde cedo,
por tal motivo não avancei muito nos estudos.
Para minha sorte, consegui um
emprego na casa de uma família maravilhosa, cuido dos filhos de um casal
simpático e bem quisto por todos, além de muito ricos.
Comigo trabalha uma
colega chamada Marcileia, dividimos os afazeres e zelamos com muito carinho
pelos filhos dos patrões, somos como se fôssemos da família, estamos presentes em
todas as viagens, inclusive as internacionais, já conheci outros países,
dificilmente teria tal oportunidade se trabalhasse em outro local para outra
família.
Dia desses, na volta de uma viagem, o avião em que estávamos
teve pane, e foi preciso um pouso de emergência, meus patrões são famosos e
isso repercutiu em todo o Brasil. Meus familiares e os da minha colega Marcileia
ficaram desesperados, afinal, eles sabem quem somos.
Seu Luciano e Dona Angélica,
merecedores de tamanha graça, tomaram as notícias dos jornais, além deles,
nossos queridos pequenos Joaquim, Benício e Eva também nada tiveram, o Piloto
Osmar, merecidamente, virou herói nacional junto com o copiloto José Flávio, e
eu e a outra babá também estávamos à bordo.
Como disse, meu nome é Francisca e o dela é Maricleia. Avisem
a eles!
Deparei-me com uma foto hoje, que trouxe a nostalgia.
Lembro bem, julho de 2012 – ano diamante -, faria minha
primeira partida como jogador de futebol profissional, a realização de um
sonho, meu e do meu pai. Singelo, pai. Discreto, sem holofotes ou fortunas, mas
muito afortunado de ego.
Ver o nome no BID (boletim informativo diário da CBF), apto para
jogar, saúde de ferro, a gente voava graças ao nobre amigo, preparador físico de altíssima qualidade e profissionalismo, professor André
Portuga, um abraço, meu irmão, que a vida lhe seja sempre leve.
Era um tempo de aflição, eu trabalhava num escritório de
advocacia, estudava pro exame de ordem e treinava no ÍBIS, black Bird, pior do
mundo, completava meu curto tempo, e me enchia de sonhos, embora vivesse já
dentro deste.
Julho de 2012.
Eu saí de casa as 7:30, tinha que chegar no escritório as 08hs,
de lá, ao final do expediente - saindo mais cedo, claro - partiria para a concentração na cidade de Paulista, região metropolitana
da capital dos altos coqueiros, eu estava treinando desde dezembro de 2011 com
o grupo, esperávamos ansiosamente por essa data da estreia, à flor da pele.
Quando saí de casa, minha mãe que não é nada poética, embora dramática, disse
para mim: “vá brilhar meu filho!” Ela pouco se importava com isso, mas sabia o
quanto era importante pra mim.
Nem brilhei, mãe. Embora me sinta uma estrela
por ser teu filho, nesse dia nem brilhei.
Quando cheguei na concentração, o clima era ótimo, ansiedade
animada, espalhados pelos colchões no chão de uma casa alugada para apoiar
alguns jogadores que vieram de fora, e também para nos concentrarmos, era nosso
hotel de luxo, com arroz e feijão que a gente fazia o prato na panela mesmo,
põe o prato no chão e o chão tá posto, nobre
Chico.
Era um batalhão, comandado por um homem, sonhador como nós,
simples, rude, hilário, nervoso, amigo e filho da puta, a quem devo, além de um
enorme respeito, a gratidão de quem comigo sonhou e realizou o meu sonho.
Obrigado Professor Marcos Costa, que Deus o tenha na área técnica do maracanã
celeste, que é onde você é e faz os outros felizes.
Já disse noutras crônicas, e sempre falo para os amigos: o
que sei sobre ética e moral, aprendi com o futebol (a frase não é minha, mas a
realidade é a mesma).
Aprendi desde cedo, a lição mais nobre que o futebol me
deu, qual foi, aprender a perder.
Tarefa difícil. Mas eu sei, e as perdas e
derrotas que tive na vida, encarei de cabeça erguida, talvez porque, lá nos
primórdios da escolinha do colégio Anchieta, professor Guilherme me ensinou
isso.
Talvez por causa do pênalti que perdi numa final ainda na escolinha.
Talvez pelo drible mais humilhante que levei na frente da menina mais bonita da
escola. Talvez pelo náutico, talvez pelas disputas com André no winning eleven,
talvez pelo gol perdido debaixo da barra no campo do santos dumont que tentei
dar de letra, e Gilsinho me chamou de filho da puta, talvez pelo dedo esfolado
no paralelepípedo na Hélio Falcão, 550, boa viagem, talvez pelo tornozelo
torcido, pela queda no cadarço desamarrado, juvenil, pelo gol dado, pela vaia
da torcida, pelo gol contra, pela bolada na cara ou nas partes íntimas, pelo “puta
que pariu, Mariano, toca a porra da bola”, pelos 10 minutos ou dois gols que
meu time saiu com 2 minutos de campo, por tudo que foi inglorioso, e se tornou
glória no final.
Eu que já não quero mais ser um vencedor e perder a glória de
chorar, barbudos, eu mesmo não!
Quando chegamos no Ademir Cunha – o Paulistão – no
vestiário, uma surpresa, Professor André tinha organizado com nossos familiares,
namoradas, amigos, que fizessem algum cartaz com uma mensagem, fotos ou sei lá
o quê... Sei que tava lá, feito por Marise, minha dileta companheira, um cartaz com o trecho da música
tente outra vez de Raul, toca Raul nessa porra!
As lágrimas escorriam
naturalmente ao ver aquilo, não apenas por aquilo, mas por tudo descrito no
parágrafo anterior. Por toda uma história esperando aquele dia, por todo
incentivo do meu pai, homem que venceu na vida com os estudos, e queria que o
filho fosse jogador de futebol, ah pai, eu não te decepcionaria nessa vida.
Digo, talvez sim, mas nunca sem tentar acertar à sua altura.
Não chorava sozinho, e ouvi prantos maiores, nas paredes do
vestiário estavam histórias dos campos
de várzea de tantos sonhadores como eu. Era um dia lindo. Aliás, é um dia lindo
em minha memória. Perdemos o jogo, mas pouco importa. Foi lindo. Foi utópico e foi
real.
Ah 2012, como te agradeço.
Tivemos, ao longo da competição, vários momentos emocionantes,
que quem sabe eu os conte ao longo dessa vida, várias derrotas e pasme,
vitórias também. O íbis entraria no livro dos recordes mais uma vez, porque
naquele ano completaria 4 anos sem vitórias em partidas oficiais. Acabou!
Tiramos isso, e nem fomos o último na competição. Jogávamos por um sonho e não
por dinheiro. O dinheiro era pouco, e se esvaía com os próprios gastos com
deslocamento para treinos e jogos.
O sonho realizado era pago com suor,
gratificante suor que se confundia com as lágrimas em meu rosto e eu nem sabia
mais se o gosto de sal vinha dos poros ou dos olhos.
Deixo aqui, um agradecimento a todos os companheiros de
equipe, a comissão técnica, ao presidente Urubu, aos torcedores, e todos que participaram
direta ou indiretamente conosco.
Peço aos amigos, sempre que lembrarem de mim, no futuro, na velhice,
numa memória póstuma, o que seja, digam que o amigo de vocês foi jogador de
futebol profissional do íbis, isso me orgulha muito e ao meu pai também. =)
Parece dezembro de um ano dourado, mas que nem teve tantos
quilates assim.
Mas todo tempo doura-se de aprendizado. Ano ladrão, que
tanta gente levou, tanta gente boa.
Amores, inclusive. Me levou e me trouxe o maior deles, o
mesmo. Ora, te amo!
Eu lembro 2012, ano-diamante, do mesmo amor ao meu lado. E
remeto a 2004, ano de perdas e saudades que herdo até hoje, mas glorificou-se em minha humilde história.
Dois mil e quatorze bagunçado do caralho, engraçado pra
caralho, duvidoso e decisivo. Lembrarei pouco, mas me lembrarão tantas vezes.
Dois mil e quatorze pode ir, pouco saudoso, mas filtro os
bons acontecimentos, os bons amigos que ganhei, nos poucos gols que fiz.
Creio ter sido - pós 93 - ludopedicamente falando, o ano que
menos joguei. Termino este pesado, contundido, mas mesmo assim, o futebol me
trouxe, como sempre, bons momentos, carcará, bons momentos.
Ano que mais convivi (e mesmo assim, nem tanto como devia)
com os do meu pai, com os da minha cor, com os que me remetem à minha maior
saudade.
Levo de ti, ano torto, boa lembrança eleitoral, levo de
volta o amor que, no fundo, nunca quis perder, os amigos de sempre e os novos
bem-vindos.
Há meses, ingrato ano, que nada escrevo, e isso me incomoda.
Quando pouco escrevo, sinto que vivo com pouca emoção. A despeito, isto é
irônico.
Deixar fluir um devaneio às quatro e tanta da matina, é que
faz a diferença etílica e emocional de um homem.
Só agradeço.
Anseio por momentos derradeiros deste tempo, que virão nesta
semana e não vejo a hora de ver os que me acompanham desde 91/92 talvez, melhor
amigo. É nós!
Ano confuso, maio invocado, junho perdido, julho
deslumbrado, agosto nem sei, setembro voou, outubro anuncia melhoras, novembro
já danço, dezembro esperança do ano que vem.
Eu amo o tempo. O que faço dele e o que Deus faz dele pra
mim. Parece bolero, Tom, Chico, Maria...
Deixa uma fotografia desse ano pra eu lembrar de vez em
quando. Não apaga tudo. Deixa um selfie de um jogo da copa, amarga copa.
Deixa um skol gelada na gaveta, porque no congelador pedra. Manda
um áudio dizendo que valeu e tá tudo certo, 2014, te devo nada.
Quero começar o novo ano de gravata florida, meu Deus do
céu, que gravata mais linda, caro Ben.
Dois mil e quinze matrimonial, findando outubro, um SIM
simbólico e eterno, se Deus permitir.
Que eu jogue mais bola e escreva mais. Tem gente que me
cobra. Que bom!!
Deixa um skol na gaveta pra quando eu chegar abrir os
caminhos.
Termino mais um ano com tudo que preciso, e se não preciso,
quero ter sempre: Karina Ana, Teresa, Marise e Fátima, bases douradas que me
levam ao topo do pódio, mas sem os brows aplaudindo embaixo, nada vale.
- Parem, parem! Não mereço, por ora, ovações.
Reza por mim, mãe! Rezarei por nós, por elas, por eles,
pelos meus e nossos. Meu escudo é minha hóstia!
Sol claro já por aqui...
Pai, afasta de mim o que não queres ao meu lado. Afasta
ainda, o que, mesmo que me satisfaça, não comungue com o nosso trato.
Preserva-me o amor, a família e os amigos. Preserva o timba,
a canhota a destra e a redonda.
Preserva o natal, a paz e a esperança.
Preserva a skol gelada na gaveta.
Feliz Natal e feliz ano novo, galera! Que em 2015 tudo se
ajeite, em nós, nos outros e no país, no mundo enfim.
Sim, sim, grato, ano velho. Esperançoso, ano novo.
Eu estou orgulhoso. Esse é o sentimento que tenho pós reeleição de Dilma.
Orgulho do meu povo, do meu estado principalmente, mas muito orgulhoso dos brasileiros.
É importante ressaltar, que o nordeste corresponde a apenas 26,795% do eleitorado brasileiro. O norte por 7,563%, cabendo ao sul, sudeste, centro-oeste e brasileiros que residem no exterior os outros 70% do eleitorado. Pós descobrir estes dados, fiquei até meio chateado por não poder ostentar meu orgulho de ter reelegido Dilma. Que chato. Não fomos nós. Não apenas nós. Mas uma coisa ninguém tira, esse orgulho pernambucano de ter dado 70% de nãos ao PSDB, partido que tanto nos atrasou no passado.
Dona Renata, mulher que tanto admiro, pois compactuo da ideia de que por traz de um grande homem há uma grande mulher, e Eduardo Campos foi o que foi graças também a sua companheira, que infelizmente tomou um posicionamento errado nesse 2º turno.
Não esperávamos que a família Campos apoiasse Dilma, mas sinceramente, esperava que ficassem neutros. O apoio da família a Aécio foi uma afronta à história de Miguel Arraes, que tanto lutou pelo nosso estado, e enfrentou como governador a oposição ferrenha do governo federal do PSDB com FHC.
Vi com Arraes, ainda criança que política se faz com amor ao próximo, e vi adiante com Lula, que política se faz da mesma maneira. O foco é o povo, o foco é amor ao povo.
Um rico que reclama de um alto imposto que paga, jamais terá prioridade a frente de um pobre que reclama fome. A urgência é outra, a prioridade é outra. Ignorância é chamar de esmola um programa que tirou nosso país do mapa da fome. Ignorância é fingir não ver que hoje vive num país melhor.
Joãozinho vem aí, e se Deus quiser será um grande político, Pernambuco precisa de alguém com esse DNA de Arraes, de Eduardo, gente da gente. Mas espero que Dona Renata se redima desse apoio tucano. Não foi legal, não representou nosso povo e a resposta veio nas urnas.
QUE LINDO, PERNAMBUCO!! 70% FOI O VOTO DA GRATIDÃO!
Sou grato por não ver mais a fome que já vi no meu sertão. Sou grato pelas escolas técnicas e o acesso à educação que o povo daqui hoje tem.
Exemplo simples e fácil de visualizar está em Calumbi, cidade da minha família, cidade de 10 mil habitantes aqui do interior de PE, onde na década de 90 um jovem de família pobre sequer tinha planos em cursar uma faculdade, era utopia, era algo longe da realidade deles, fazia faculdade ou estudava fora, apenas os filhos dos ricos da cidade, e hoje meu amigo, filho de gente humilde da zona rural cursa medicina.
A maioria dos jovens têm acesso a educação superior, e melhor, nem precisa ir pra Recife mais. Tem faculdade na porta de casa.
Dizer que não vive num país melhor, é fingir que não vê.
O discurso de ódio tá se multiplicando nas redes sociais. Nos xingam, se acham superiores, alguns eleitores tucanos, inclusive, pregam um discurso de superioridade intelectual só pela opção de voto deles. Gente, tá feio.
Mais de 50% da população brasileira elegeu Dilma, dentre estes, vários intelectuais de verdade que acreditam que o caminho certo é este que estamos. Eu sou pernambucano, negro, longe de ser um intelectual, mas creio andar nessa mesma distância da ignorância. Meu voto tem fundamento, meu voto tem amor ao próximo, meu voto inclusive foi vitorioso e isso responde muita coisa.
Muitos falam em alternância de poder, que eu até acho justo. Votemos no PSOL então, porque alternar poder para o PSDB não é alternar nada. É retroagir, é devolver o poder que tiramos com muita luta. O estado de São Paulo tem seus motivos para azular, mas PERNAMBUCANO NÃO ELEGE TUCANO, porque noutro tempo não nos fez bem.
Salve a terra dos altos coqueiros, viva Miguel Arraes, viva Eduardo, João, viva Dilma, Viva Luiz Inácio Lula da Silva que começou com essa história de amor e mudou o rumo do nosso país.
Tem muita coisa pra melhorar, e iremos cobrar desse governo tais melhoras. Em junho fomos as ruas, mas ninguém foi a rua em prol do PSDB não.
Que Deus abençoe nossos governantes para que façam o melhor por nós, e que sempre ponham a sua frente o princípio do amor ao próximo, quem age assim, age certo.
Tucanada, não sejam levianos, me poupe de comentários sobre a corrupção, vocês votaram em Aécio Neves, digo, Never!
Se tem uma cena de romance do cinema nacional que nunca
esqueci, foi deste filme – A máquina – de cenário simples, sem grandes
produções, mas de um texto riquíssimo, personagens cativantes e uma trilha
sonora impecável.
Antônio e Karina, nos parques de ouro donde o amor começa a
pulsar.
Como os invejo, como os admiro, eu que te vejo e nem quase
respiro - Cecília de Chico Buarque.
Valente Antônio, quando o amor explode, que não da mais pra
disfarçar, quando é agora ou nunca, a hora H, o pega pra capar, desembucha,
menino! Fala pra ela do teu amor, fala de uma vez! Olha dentro dos olhos dela e
diz! Vai, com o coração, misera!
Eu confundi a ficção, com tamanha desenvoltura do ator
Gustavo Falcão.
Deslumbrar-se com Mariana Ximenes é inevitável, eu sei – não
sei, na verdade.
Mas contracenar com tanta euforia é um dom que só os que
dominam a arte cênica gozam.
Ah, atores, estes fingidos.
E o texto fala da ficção, já que Karina, personagem de
Ximenes, sonhava em ser atriz e usava Antônio, pobre Antônio, em seus ensaios.
Antônio não aguentava mais fingir. Para ele não era ficção.
O amor não é fictício, geralmente.
Digo, se é amor de verdade, ora, não rola ficção. Óbvio.
Mas o amor pode virar ficção. Já vimos que ele acaba. Vimos
na vida, noutra crônica, noutra estória. Deixa isso pra outro devaneio.
Antônio, meu caro, o mundo precisa de corajosos assim. De
quem joga fácil, mesmo num jogo difícil. De um camisa 10 com a classe de
Zidane.
De verdade, sabe? Sem ficção.
É que eu não sou ator, e se eu sinto dor, tenho que chorar.
Ah, atores, estes fingidos. Como os invejo, como os admiro,
eu que te vejo e nem quase respiro.
Mirem-se no exemplo de Antônio, aí.
Assistam o filme, escutem Cecília de Chico, emendem com Ela
faz cinema, dancem mais, bebam, mas não amem de mentira. Covardia, pô!
(Escrevi ontem 07/07/2014, mas por problemas técnicos, postei hoje, ainda antes do jogo. Sim, levantei com os dois pés hoje!)
Só digo uma coisa: amanhã, melhor que levantar com o pé direito, é levantar com os dois pés!
Quase tudo que sei nessa vida sobre ganhos e perdas, aprendi com futebol.
Aprendi a perder, tarefa difícil diga-se de passagem, mas não a me entregar.
Vi e vivi quase de tudo no futebol, de lá da escolinha no Anchieta ao profissional do Íbis - exato, Íbis. De derrota eu entendo.
Mas só no futebol eu vi superações como nenhures.
Não vou falar em Ronaldo, essa é batida.
Vou falar de um colega do futsal, no infantil do Santa Cruz, um campeonato lá em Fortaleza.
Seu nome, Maradona, nome de craque e não à toa.
Era numa semi-final também, ano 2000, ginásio da AABB na capital Cearense.
No dia do jogo, nosso treinador, renomado treinador de Futsal em Pernambuco, Professor Ricardo Coutinho, recebeu uma ligação às 5hs da manhã. A notícia não era boa. Mataram o pai de Maradona num bar, numa comunidade do subúrbio recifense.
Professor R.C., experiente que é, usou isso a nosso favor.
Lembro de algumas palavras, no final da preleção, já aos gritos e lágrimas:
"VAMOS JOGAR POR MARADONA, VAMOS TRANSFORMAR ESSA RAIVA EM VONTADE DENTRO DA QUADRA!"
"VAMOOOOOS!!!"
seguido de um Pai Nosso que ecoou naquele ginásio.
Eu perdi meu pai, e no fatídico dia eu mal tinha forças para me manter de pé.
Como te invejo, Maradona! Nem sei por onde andas, amigo. Acho que nem lembras de mim.
"Eu vou jogar, professor. Pode me botar, eu quero jogar!" Disse Maradona pouco antes do jogo.
Maradona entrou sim. Inclusive, ele era titular.
Era um jogo difícil, contra o Fluminense do RJ.
Jogo duro, e lembro que começamos perdendo. Mas Maradona estava endiabrado, ou melhor dizendo, "endeusado".
Não deu pros cariocas, não deu pra dor, não deu pra tristeza.
Eu vi ali, menino novo que era, de realidade diferente daquele colega, eu vi de perto, um exemplo de superação.
Um de muitos que eu vi só, e apenasmente - como diz Belchior - no futebol.
Vai soar clichê se eu disser que Maradona foi melhor em quadra, né?
É. Mas foi. Vencemos àquele, que até então, era o melhor time da competição.
Placar 3 x 2, Maradona fez 2 e o outro gol foi do nosso goleiro, Macaíba.
Ali na quadra, rezamos outro Pai Nosso, agradecendo a vitória e pela alma do pai do colega.
Perdemos a final, pro Juventus de São Paulo, mas meu exemplo acabou alí nas semi.
Jornal Hoje de hoje(ontem), falou em resiliência, termo da psicologia que fala da capacidade de uma pessoa superar obstáculos.
Brasileiro resiliente é pleonasmo, Globo.
Não há povo com tamanha capacidade no mundo - salvo os eunucos japoneses, Hiroshima. [brincadeira, pô]
Amanhã a Alemanha conhecerá seu Führer.
Neymar, Champs, um ex professor meu, promotor Thiago Godoy, que mataram aqui em PE, disse um dia: "Ninguém vence uma pessoa que tem um sonho!"
Ninguém vencerá seu sonho, tão nosso, de toda nação.
Ahora, decime como se siente, Argentina... caso passe das laranjeiras, verás teu papai que é gigante pela própria natureza, lançar os filhos à luta, da qual nunca fugimos, pois, nascemos para jogar futebol, vocês para torcerem. Parabéns, mas o HEXA É NOSSO!